Criança usando computador com foco em segurança infantil online e jogos digitais

Sobre o doutor Evandro

Evandro Júnior, advogado (OAB/SP 407.083), lidera o escritório com foco em atuação estratégica nas áreas de Direito Criminal, Previdenciário e de Família. Com base em São Paulo e região, oferece soluções jurídicas objetivas, atendimento humanizado e comunicação transparente — para que cada cliente se sinta seguro, ouvido e bem-orientado.

Segurança infantil online: por que o Roblox limitou os chats e o que isso revela sobre a proteção digital

A segurança infantil online deixou de ser um tema periférico para se tornar uma das principais preocupações de famílias, educadores, autoridades e plataformas digitais. Em um cenário no qual crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados, especialmente por meio de jogos on-line e redes sociais, cresce também a responsabilidade de garantir que esse ambiente seja seguro, adequado e compatível com o desenvolvimento saudável.

Recentemente, o Roblox — uma das maiores plataformas de jogos do mundo, amplamente utilizada pelo público infantil — anunciou mudanças significativas nas regras de uso do chat e nos mecanismos de verificação de idade. A decisão reacendeu debates importantes sobre proteção de menores na internet, deveres das plataformas digitais e o papel do Direito na prevenção de riscos virtuais.

Entender o que motivou essas mudanças vai muito além do universo dos games. Trata-se de uma discussão que envolve segurança infantil online, direitos fundamentais, responsabilidade digital e a adaptação da legislação à realidade tecnológica atual.

A presença das crianças no ambiente digital

O acesso à internet por crianças e adolescentes ocorre cada vez mais cedo. Jogos on-line, aplicativos de mensagens, plataformas de vídeo e redes sociais fazem parte da rotina de milhões de famílias. Esses espaços digitais, quando bem utilizados, podem ser ferramentas educativas, recreativas e até de socialização.

No entanto, a ausência de controle adequado pode transformar esses ambientes em espaços de vulnerabilidade. A segurança infantil online passa, necessariamente, pelo reconhecimento de que crianças não possuem o mesmo nível de discernimento, percepção de risco ou maturidade emocional que adultos.

É exatamente por isso que o ordenamento jurídico brasileiro, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sempre adotou o princípio da proteção integral, atribuindo à família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar direitos e prevenir situações de risco.

Jogos on-line e os riscos invisíveis

Os jogos on-line deixaram de ser experiências solitárias. Hoje, grande parte deles envolve chats de texto, voz, criação de avatares, trocas de mensagens privadas e interação com desconhecidos. Embora isso torne a experiência mais imersiva, também amplia os riscos.

Entre os principais perigos associados à falta de segurança infantil online nesses ambientes, destacam-se:

  • Contato entre adultos e menores sem supervisão
  • Tentativas de aliciamento
  • Assédio moral ou sexual
  • Exposição a linguagem inadequada
  • Compartilhamento indevido de informações pessoais

Muitos desses riscos não são imediatamente perceptíveis para pais ou responsáveis, pois ocorrem dentro de conversas privadas, jogos aparentemente inofensivos ou ambientes virtuais de difícil fiscalização.

O que levou o Roblox a limitar os chats

A decisão do Roblox de restringir chats e exigir maior controle de idade não surgiu de forma aleatória. Ela foi consequência direta de investigações, denúncias e pressão de autoridades e entidades de proteção à infância em diversos países.

Relatos de contato inadequado entre adultos e crianças, tentativas de manipulação emocional e até crimes mais graves acenderam um alerta global. A plataforma passou a ser questionada não apenas sob o ponto de vista moral, mas também jurídico.

A segurança infantil online deixou de ser uma escolha estratégica e passou a ser uma obrigação operacional. Plataformas que permitem interação entre usuários precisam assumir responsabilidade ativa na prevenção de danos.

A responsabilidade das plataformas digitais

No ambiente digital, não basta alegar neutralidade tecnológica. Plataformas que lucram com o engajamento de usuários, especialmente menores de idade, têm o dever de adotar medidas eficazes de proteção.

A segurança infantil online exige ações concretas, como:

  • Filtros de linguagem
  • Restrições de interação entre adultos e menores
  • Sistemas de verificação de idade
  • Monitoramento de atividades suspeitas
  • Canais acessíveis de denúncia

Essas medidas não configuram censura, mas sim mecanismos de prevenção. O direito à liberdade de expressão não pode se sobrepor ao direito à integridade física, psicológica e moral da criança.

O conceito de ECA Digital

Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente seja anterior à popularização da internet, seus princípios continuam plenamente aplicáveis ao mundo digital. O chamado “ECA Digital” não é uma nova lei, mas uma interpretação contemporânea das normas já existentes à luz da realidade tecnológica.

A segurança infantil online encontra respaldo direto em dispositivos que garantem:

  • Direito à dignidade
  • Direito à proteção contra qualquer forma de violência
  • Direito ao desenvolvimento saudável

No ambiente virtual, essas garantias se traduzem na obrigação de prevenir exposição indevida, exploração e abuso, inclusive quando praticados por meio de plataformas digitais.

Pais e responsáveis: dever de vigilância e orientação

Embora plataformas tenham responsabilidades claras, a segurança infantil online também depende da atuação ativa dos pais e responsáveis. A supervisão não deve ser vista como invasão de privacidade, mas como cuidado necessário.

Algumas medidas práticas incluem:

  • Acompanhar os jogos utilizados
  • Verificar configurações de privacidade
  • Orientar sobre não compartilhar dados pessoais
  • Manter diálogo aberto sobre experiências on-line
  • Estabelecer limites de tempo e uso

A informação é uma das ferramentas mais eficazes de proteção. Crianças orientadas tendem a reconhecer situações de risco com mais facilidade.

Liberdade versus proteção: um falso conflito

Um dos argumentos mais utilizados contra medidas de restrição é a suposta limitação da liberdade. No entanto, quando se trata de segurança infantil online, esse debate precisa ser contextualizado.

Crianças não possuem plena capacidade civil nem discernimento completo para avaliar riscos complexos. Assim como existem limites no mundo físico — como idade mínima para dirigir ou consumir certos conteúdos —, o ambiente digital também exige regras específicas.

A proteção não elimina a liberdade; ela a molda de acordo com a fase de desenvolvimento do indivíduo.

A tendência global de maior regulação

As mudanças adotadas pelo Roblox refletem uma tendência mundial. Países têm avançado em legislações voltadas à proteção de menores no ambiente digital, impondo deveres mais claros às plataformas.

A segurança infantil online tornou-se pauta de políticas públicas, decisões judiciais e tratados internacionais. O recado é claro: o ambiente virtual não é uma terra sem lei.

Empresas que ignorarem essa realidade correm riscos jurídicos, reputacionais e financeiros.

O papel do Direito na prevenção de danos digitais

O Direito Digital surge como instrumento essencial para equilibrar inovação tecnológica e proteção de direitos fundamentais. No caso da segurança infantil online, ele atua de forma preventiva, orientadora e repressiva quando necessário.

Advogados especializados auxiliam famílias a compreenderem:

  • Os deveres das plataformas
  • Os direitos das crianças
  • As medidas cabíveis em casos de violação
  • Os caminhos legais para responsabilização

A atuação jurídica não se limita à reparação de danos, mas também à educação e orientação preventiva.

Por que essas mudanças importam para a sociedade

As restrições adotadas pelo Roblox não impactam apenas usuários da plataforma. Elas sinalizam uma mudança de paradigma: a infância precisa ser protegida também no ambiente digital.

A segurança infantil online é um tema coletivo. Quando plataformas se tornam mais seguras, toda a sociedade se beneficia. Reduzem-se riscos, previnem-se crimes e fortalece-se uma cultura de responsabilidade digital.

Ignorar essa realidade é fechar os olhos para problemas reais que já estão acontecendo.

Conclusão: segurança digital é proteção de direitos

A decisão do Roblox de limitar chats e reforçar a verificação de idade evidencia algo fundamental: a segurança infantil online não é opcional. Ela é um dever legal, ético e social.

Crianças têm direito a brincar, aprender e se desenvolver em ambientes seguros — físicos ou digitais. Plataformas, famílias e profissionais do Direito precisam atuar de forma conjunta para garantir que a tecnologia seja aliada, e não uma ameaça.

Compreender essas mudanças permite que pais e responsáveis tomem decisões mais conscientes, cobrem responsabilidades e exerçam, de forma efetiva, a proteção integral prevista em lei.

Nosso escritório atua com temas ligados à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, oferecendo orientação jurídica clara e responsável para famílias que desejam compreender seus direitos e deveres nesse novo cenário.