lei da dosimetria suspensa pelo STF decisão sobre penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro

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Lei da Dosimetria: Entenda Por Que o STF Suspendeu Sua Aplicação

A lei da dosimetria ganhou grande destaque no cenário jurídico após o Congresso Nacional derrubar o veto presidencial ao projeto que alterava a forma de calcular penas em determinados crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Pouco tempo depois, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, determinou a suspensão da aplicação da nova norma até que a Corte analise definitivamente sua constitucionalidade.

A decisão gerou inúmeras dúvidas. Afinal, a lei já estava em vigor? Quem poderia ser beneficiado? As penas realmente seriam reduzidas? E por que o STF pode impedir temporariamente a aplicação de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional?

Essas perguntas são importantes porque envolvem princípios fundamentais do Direito Penal, da Constituição Federal e da própria separação dos Poderes. Para compreender os efeitos da decisão, é preciso entender primeiro como funciona a dosimetria da pena no sistema penal brasileiro.

O Que é a Lei da Dosimetria?

A lei da dosimetria recebeu esse nome porque modifica critérios utilizados para calcular a pena aplicada em determinadas condenações criminais.

No Direito Penal brasileiro, a dosimetria corresponde ao procedimento utilizado pelo juiz para fixar a quantidade de pena que será imposta ao condenado.

Esse cálculo não ocorre de maneira aleatória.

O Código Penal estabelece regras específicas que orientam a fixação da pena-base, a incidência de agravantes e atenuantes e, posteriormente, a aplicação de causas de aumento ou diminuição de pena.

Dependendo das alterações promovidas por uma nova lei, o resultado final pode representar redução ou aumento significativo do tempo de prisão.

Foi justamente isso que motivou intenso debate jurídico em torno da lei da dosimetria.

O Que a Nova Lei Pretendia Alterar?

A principal mudança proposta dizia respeito à forma de aplicação do concurso de crimes em determinados delitos relacionados aos atos de 8 de janeiro.

Na prática, a intenção era impedir que algumas infrações penais fossem somadas da maneira como vinham sendo aplicadas em diversos julgamentos.

Em determinadas hipóteses, passaria a prevalecer apenas a pena do crime considerado mais grave, com critérios mais restritos para os acréscimos decorrentes das demais infrações.

Essa alteração poderia gerar redução considerável da pena final em alguns processos.

Por esse motivo, o tema rapidamente ganhou repercussão nacional.

Por Que a Lei Gerou Tanta Discussão?

Toda alteração relacionada ao cálculo da pena costuma produzir impacto relevante no sistema penal.

Isso porque pequenas modificações nos critérios utilizados pelo juiz podem alterar significativamente o tempo de cumprimento da condenação.

Além disso, a pena aplicada influencia diretamente diversos outros institutos da execução penal.

Entre eles estão:

Progressão de regime;

Livramento condicional;

Indulto;

Comutação;

Tempo necessário para obtenção de benefícios.

Assim, qualquer mudança na dosimetria repercute muito além do simples cálculo da pena.

A Lei Entrou em Vigor?

Após a derrubada do veto presidencial pelo Congresso Nacional, a lei da dosimetria passou a integrar o ordenamento jurídico.

Entretanto, pouco tempo depois, surgiram questionamentos sobre sua compatibilidade com a Constituição Federal.

Diante dessas discussões, foram propostas ações perante o Supremo Tribunal Federal.

Ao analisar os pedidos iniciais, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão da eficácia da norma até que o Plenário do STF realize o julgamento definitivo da matéria.

Essa suspensão possui natureza cautelar.

Ou seja, não significa que a lei tenha sido definitivamente anulada.

Significa apenas que seus efeitos permanecem interrompidos até decisão final da Corte.

O Que Significa Suspender a Aplicação da Lei?

Quando o Supremo suspende cautelarmente uma norma, ela deixa de produzir efeitos temporariamente.

Na prática, os órgãos do Poder Judiciário não devem aplicar aquela legislação enquanto durar a suspensão.

Isso evita que diferentes juízes passem a decidir de maneiras conflitantes durante o período em que ainda existe dúvida sobre a validade constitucional da norma.

Caso o STF posteriormente reconheça que a lei é constitucional, ela poderá voltar a produzir efeitos.

Se entender que ela viola a Constituição, poderá declarar sua inconstitucionalidade.

Por Que o STF Pode Fazer Isso?

A Constituição Federal atribui ao Supremo Tribunal Federal a função de exercer o controle de constitucionalidade das leis.

Isso significa que cabe ao STF verificar se determinada norma aprovada pelo Congresso Nacional respeita os limites impostos pela Constituição.

Quando existe risco de produção de efeitos considerados potencialmente incompatíveis com o texto constitucional, a Corte pode conceder medida cautelar suspendendo temporariamente sua aplicação.

Esse mecanismo busca preservar a segurança jurídica enquanto o mérito da discussão ainda será analisado.

Quem Pode Ser Afetado Pela Suspensão?

A suspensão da lei da dosimetria atinge principalmente pessoas condenadas que aguardavam a aplicação das novas regras para reduzir suas penas.

Em muitos casos, a expectativa era de que a alteração legislativa permitisse o recálculo da pena e, consequentemente, antecipasse benefícios da execução penal.

Com a decisão cautelar do STF, essas revisões ficam temporariamente suspensas.

Enquanto a matéria não for julgada definitivamente, os processos continuam sendo analisados conforme a legislação atualmente considerada válida.

Isso não significa que os condenados perderam definitivamente eventual direito previsto na nova lei.

Significa apenas que será necessário aguardar a decisão final do Supremo.

A Suspensão Altera Condenações Já Existentes?

Não.

A decisão não anula condenações já proferidas nem determina a libertação de condenados.

Seu efeito é impedir que a lei da dosimetria seja utilizada como fundamento para revisão das penas enquanto sua constitucionalidade permanece em discussão.

Assim, quem já cumpre pena continua submetido às regras atualmente aplicáveis.

Caso o STF confirme posteriormente a validade da norma, poderão surgir pedidos de revisão da dosimetria em processos que preencham os requisitos legais.

O Que é a Dosimetria da Pena?

A dosimetria corresponde ao procedimento utilizado pelo juiz para calcular a pena de uma pessoa condenada.

Esse cálculo ocorre em etapas previstas no Código Penal.

Primeiro é fixada a pena-base, considerando circunstâncias judiciais como culpabilidade, antecedentes, personalidade, motivos e consequências do crime.

Depois são analisadas agravantes e atenuantes.

Na etapa seguinte são aplicadas causas de aumento e de diminuição previstas na legislação.

O resultado final influencia diretamente o regime inicial de cumprimento da pena e diversos benefícios da execução penal.

Por isso, alterações na lei da dosimetria possuem impacto significativo sobre inúmeros processos.

A Discussão Envolve Apenas os Atos de 8 de Janeiro?

Embora o debate tenha surgido em razão das condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, a discussão jurídica ultrapassa esses processos.

O ponto central analisado pelo STF é verificar se o Congresso Nacional poderia promover as alterações previstas na nova legislação sem afrontar princípios constitucionais.

Em outras palavras, o julgamento envolve a compatibilidade da norma com a Constituição Federal.

Esse controle de constitucionalidade faz parte das atribuições do Supremo Tribunal Federal e pode produzir efeitos relevantes para diversos casos semelhantes.

O Papel da Segurança Jurídica

Um dos fundamentos utilizados para concessão de medidas cautelares em ações constitucionais é justamente preservar a segurança jurídica.

Imagine que centenas de condenações fossem revisadas imediatamente com base na nova legislação e, meses depois, o STF declarasse sua inconstitucionalidade.

Haveria enorme dificuldade para restabelecer a situação anterior.

Por isso, em determinadas situações, o Supremo opta por suspender temporariamente a eficácia da norma até que todos os ministros possam analisar profundamente a matéria.

Essa medida busca evitar decisões contraditórias e garantir maior estabilidade ao sistema jurídico.

O Julgamento Definitivo Ainda Pode Mudar o Cenário

É importante destacar que a suspensão da lei da dosimetria possui natureza provisória.

O julgamento definitivo ainda será realizado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.

Nessa ocasião, os ministros poderão confirmar a suspensão, revogá-la ou declarar a constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma.

Somente após essa decisão será possível saber quais efeitos jurídicos a lei produzirá de forma definitiva.

Até lá, permanece válida apenas a determinação cautelar de suspensão.

Quem Possui Processo em Andamento Deve Fazer Algum Pedido?

Cada processo possui características próprias.

Em alguns casos, pode ser recomendável acompanhar o julgamento do STF antes da adoção de determinadas medidas.

Em outros, a defesa poderá discutir questões distintas que não dependem diretamente da lei da dosimetria.

Por isso, não existe resposta única para todos os condenados.

A análise deve considerar a fase processual, a condenação existente, a execução penal e os possíveis reflexos da futura decisão do Supremo.

Conclusão

A suspensão da lei da dosimetria demonstra como mudanças legislativas podem gerar importantes debates constitucionais antes de produzirem efeitos definitivos.

Embora o Congresso Nacional tenha aprovado alterações na forma de cálculo das penas, o Supremo Tribunal Federal entendeu ser necessário interromper temporariamente sua aplicação até que a constitucionalidade da norma seja analisada pelo Plenário.

Enquanto isso, condenações e execuções penais continuam seguindo as regras atualmente vigentes.

O caso evidencia a importância do controle de constitucionalidade exercido pelo STF e reforça que alterações relevantes no Direito Penal frequentemente dependem de interpretação definitiva da Corte Constitucional para produzir efeitos permanentes no sistema jurídico brasileiro.